terça-feira, 9 de março de 2010

Não compra nem com OURO


Hoje não falta nas prateleiras receitas para ser feliz, pode parecer bobagem, mas é o que muita gente acredita estar comprando e vendendo por ai. As opções não param de aumentar, mas é preciso saber escolher entre um discurso vazio e uma reflexão realmente útil.
Já imaginou entre tantos produtos que você consome por ai, se houvesse um chamado felicidade? E é justamente isso que a mídia, a moda e o mundo moderno tenta fazer. Nas grandes livrarias se você procurar um livro que contenha a palavra felicidade ou feliz vai ficar surpresa com o resultado. O site Submarino traz mais de 5.600 títulos, e o Amazon mais de 420mil resultados.
Estamos vivendo o auge da indústria da felicidade, onde deparamos com receitas instantâneas nos ensinando a ser feliz. Felicidade em prateleiras é uma busca equivocada é tentativa de preencher um vazio interior.
Ser feliz envolve uma nova dimensão da relação humana, está ligado a espiritualidade, a noção de fazermos parte de algo maior. Estar bem 24 horas por dia é uma ilusão, todos nós temos nossos dias acinzentados, e compreender nossas necessidades e os altos e baixos do cotidiano é o caminho mais viável para viver com alegria, buscando ter equilíbrio.
Nesta busca cega pela felicidade deixamos de ver as coisas boas que já conquistamos e acabamos dificultando nossa caminhada, porque não sabemos compreender que a felicidade é servida em pequenas doses. Temos que colocar nossas expectativas em um patamar mais realista, assim a vida flui. Aceitando as pedras que vamos encontrar no caminho, o que é bom, porque torna os nossos dias mais coloridos.
Felicidade é uma busca valiosa, porém suada. Acredito que ser feliz é estar em equilíbrio, em contato com Deus, controlando nossos impulsos, conhecendo nossas emoções, harmonizando as relações e reconhecendo as limitações. Já que não se vende em potes, não se encontra em livros, não se estuda na escola, não se herda, não se tem receitas... Vamos todas continuar buscando a felicidade, sem ilusão, sem achar que vamos encontra - lá em um rosto bonito, uma roupa alinhada, em uma joalheria... Afinal nem com ouro se compra FELICIDADE!


Kívia Teimany

Carajás O Jornal
Parauapebas
2009


“A vida é como ondas do oceano, ainda que você não possa controlá-lo, pode aproveitar os dias mais calmos para nadar, boiar, mergulhar... e os dias mais agitados até para surfar, mas, se estiver contra a onda, você tem um problema.” Yongey Mingyur Rinpoche





quarta-feira, 27 de maio de 2009

- Retalhos da vida -


Retalhos da vida são mensagens que levamos na mochila, guardamos em caixinhas e escrevemos na agenda. São lembranças de algum lugar, são saudades que levamos no coração. Lembranças que sem perceber nos faz sonhar, nos da forças para seguir em frente, levando na bagagem histórias da gente.Foi no primeiro dia do ano, que eu comecei a minha cortina de retalhos, eu queria reorganizar a caminhada até o momento exato, e me preparar para o que vinha pela frente, mas para abrir a caixinha da vida e passar retalho por retalho é preciso ter coragem e sem vaidades ir lembrado o valor das coisas simples. Primeiro eu examinei se estava preparada para tantas recordações, se estava me sentindo forte, foi quando, eu percebi que deveria abrir e ser eu mesma, respeitar minha essência. Me permitir sentir, ser intensa e sem medos, dar as minhas melhores gargalhadas, olhar sem julgamentos, perdoar-me, chorar. Sentir que depois de alguns temporais vem a calmaria! Foi assim que eu abri a minha caixinha do passado para colocar as coisas em ordem e deixar o que passou nas datas exatas, me situando e caminhando em frente, de forma leve e consciente.Então eu abri a janela e com a Luz que entrou no meu quarto eu me senti serena, abri a minha caixinha e lá estavam cores, retalhos, flores, lacinhos vermelhos, sapatinhas, botões, retratos, rendinhas, meu vestido predileto, amores, saudades, gargalhadas, lágrimas, abraços, noites lindas. A cada objeto que eu pegava trazia consigo uma lembrança de minhas aventuras de menina, eram coisas de algum lugar, que sem perceber me faziam sonhar, sonhar de modo simples. Naquele momento peguei meu caderno azul de poesia que escrevia nele ao lado de uma jabuticabeira, com nove anos eu já tinha meu mundo real, minhas canetas prediletas, minhas cores favoritas e minhas palavras encantadas de poeta pequenina.Eu já reconhecia a maneira de meu pai pisar no chão, e poderia ouvir o barulho dos seus chinelos Raider azul, quando ele vinha se aproximando. Escrevia sobre ele em meus rascunhos.Quando peguei o retalho de minha mãe, foi tão especial, lembrei-me dela me perfumando e me vestindo com carinho, mesmo sabendo que eu subiria no pé de goiaba da casa da vovó e voltaria cheia de terra nos braços.O quintal de minha casa já foi mar, campo de batalha, já foi roça e já foi casa... Durante um dia de brincadeira com a Naia. Já se fez araiá e a Nick com seu chapeuzinho de palha fez pintinhas e colocou as suas botinhas prediletas.Cores e tecidos distintos, cada um com sua beleza e doçura, tinha um retalho que me lembrava do cheirinho da comida da vovó, do meu avô cuidando do quintal. Das plantas e das galinhas. Do primeiro lambari que pesquei, do sol dando as caras em uma manhã que fomos acampar, dos chocolates de pimenta de minha mãe, do cheiro do café, das corridas de bicicleta na chuva, do banco da praça, do sorvete com guaraná, do meu perfume de pitanga, dos meus amigos de colegial, da casa da Vó Gueinha, das ruas que passei, das noites em que chorei, dos chocolates que ganhei, dos sonhos que vivenciei, das canetas coloridas, das noites mal dormidas, das luvas de lacinho, do cabelo curtinho, das visitas na pizzaria, das gargalhadas espontâneas, dos beijos que escrevi, de quem me fez sorrir, das comidas que preparei, dos professores que encontrei,dos braços que me deitei, dos livros que eu li, das promessas impensadas que eu fiz, das fotos que eu guardei, dos dias que não sonhei, das poucas viagens que eu fiz, do álbum que ainda não preenchi, da blusa do Mickey, do meu cabelo ao vento e da saudade de tudo isso. E da vida que eu preciso seguir.Retalhos são partes da história da menina que sou, das frases que escrevi, das flores que plantei, das escolhas que fiz. São lembranças que nos fazem voar, voar para o mundo da imaginação e para continuar a caminhar é preciso ter os pés no chão, olhos abertos e disposição. Chega a hora que precisamos por a s rendas finais da cortina e parar de derramar lágrimas de saudades. Entender que cada coisa tem seu lugar na história da vida,foi especial e as lembranças levo no meu coração.É preciso deixar a menina lá atrás, nos momentos felizes que se pode recordar e criar laços com o presente, o presente de estar vivo, podendo conquistar novos retalhos, dar novos sentidos, sentir novos sabores. Olhando a vida de frente, tendo novos valores, colocando cada coisa em seu lugar.Retalhos de uma vida é pra quem tem coragem de abrir a caixinha de saudades e com os retalhos fazer uma cortina, para a luz do sol bater todas as manhas e iluminar, as pessoas que em minha vida sempre terão seu valor.E foi assim que eu peguei os retalhos de minha vida, e reconheci o valor dentro do universo em que fui criada, porque nessa caminhada eu aprendi e ensinei, colhi e plantei, senti e transmiti, falei e ouvi, chorei e sorri... E sobrevivi. E viva, vou vivendo a minha bela vida.


Jornal Centro-Oeste
Mineiros-GO
2009

- Os bons e os fascinantes -

“Educar é ser um bom garimpeiro, que procura tesouros no coração.”

Professores fascinantes deveriam ser aplaudidos em cada aula dada.
Lembro-me ainda hoje, da garota insegura e cheia de medos da sétima-série; estudava em uma escola interiorana, convivi com uma professora de inglês durante anos. Remete-me de imediato, sempre que falo nela, a lembrança de um dia em especial: o primeiro dia de aula do ensino médio, ela chegou e sentou-se na mesa como sempre fazia, desde alguns anos, pegou um rolo de barbante que havia levado consigo, cortou um pedaço e entregou para cada aluno ali presente; pediu que com uma mão só, sem que nos apoiarmos em nada, fizéssemos quantos nós conseguíssemos em cinco minutos. Não me lembro quantos fiz, mas me lembro como se fosse hoje, dela olhando discretamente por cima dos óculos em minha direção: - “Olha o que são capazes de fazer com apenas uma mão!”
Tenho certeza que aquela aula foi pra mim, que aquelas palavras eram para me encorajar, me transmitir forças, me proporcionar aceitar com mais leveza a separação de meus pais, me fazer acreditar em meus sonhos, me fazer sonhar, resgatar meus desejos, os quais havia guardado no fundo do baú e friamente esquecido.
Digo, com satisfação e felicidade, que meus professores foram além da didática, me ajudaram na formação de meu caráter, eles me auxiliaram a ser forte, argumentativa e capaz.
Existem professores e educadores. Os professores são caracterizados como bons professores e os educadores como professores fascinantes. Os bons professores podem ser dotados de e uma boa cultura acadêmica. Os professores fascinantes ultrapassam essa meta, eles tentam conhecer a mente dos alunos, para melhor ensinar, ensinam a transformar informações em conhecimento e experiências em práticas.
Bons professores pretendem passar o que foi suposto, ensinar leis e teorias, enquanto os professores fascinantes ensinam os alunos a pensar, sonhar, buscar, plantar, os ensina aprender a aprender.
Professores assim como pessoas estão gerando dados em si esmo, perdendo a plenitude e se tornando cada dia mais práticos, alguns jovens que chegam às faculdades se apresentam alienados, não sabem impor suas idéias, gerenciar seus pensamentos e ser empreendedores. Acostumados a “deletar”, na nova era onde facilmente se exclui, esquecemos que na nossa vida isso não será possível , teremos que reeditar arquivos em nossa memória, mas não podemos deletar as experiências negativas.
Os jovens não são treinados para lidar com a decepção, não são expostos a práticas e argumentações, discordar de um professor pode levá-lo a sérias perseguições.
“Adoro muito mais aquele que por ventura discorda de mim e apresenta suas teorias, do que aquele que concorda com todas as minhas idéias.”
Estamos na era da educação que pouco ensina pensar, que não ensina apreciar e depreciar, a ter opinião e forma de apresentá-las respeitosamente.
Educar sem se envolver é como tomar banho sem se molhar... É praticamente fazer de conta.
E é exatamente aí onde digo: Os bons professores educam para uma profissão, e os professores fascinantes vão além, educam para a vida também.



Jornal Centro-Oeste
Mineiros-GO
2008

terça-feira, 26 de maio de 2009

- Por que lutamos? -


O dia 8 de março é uma data com muitas histórias e lutas que estão ligadas as reivindicações femininas. Uma luta que contou com a força de inúmeras mulheres, que nos vários momentos da história resistiram ao machismo e a descriminação.
E triste lembrar que na revolução industrial, no ambiente fabril, mulheres trabalhavam de 14 a 17 horas diárias, a uma temperatura de 29°C em um local úmido, com portas e janelas fechadas, proibidas de ir ao banheiro beber água, abrir janelas e acender luzes, entre outras coisas.
A luta operária não tardou a surgir, com canhões , violência sexual... No dia 8 de março de 1857 os patrões e políticos trancaram as portas da fábrica e atearam fogo. Asfixiadas dentro do local em chamas, as tecelãs morreram carbonizadas.
Diante tudo isso, durante uma conferência internacional, Clara Jetkin propôs que 8 de março fosse declarado o Dia Internacional da Mulher. Em 1911 mulheres se manifestaram na Europa e a data passou a ser comemorada no mundo inteiro.
Vasta luta para tão sonhada bandeira branca, pois nós mulheres só queremos igualdade. Depois de muitas perdas conquistamos nosso direitos, invadimos as universidades, dominamos os escritórios, campos de pesquisas, estratégias políticas, conquistamos opiniões, colocamos nossos argumentos na mesa.
Uma pena que algumas perderam a feminilidade, a doçura, os hábitos culinários, aquela ternura de mulher.
Algumas mulheres buscaram o feminismo na tentativa de desfazer o machismo. Perderam-se! Deixaram de levar o café para o pai, a toalha limpa para o marido, o lanche feito com carinho para os filhos.
Ser mulher é ser forte de alma, e sensível com o próximo. É ser doce, ser independente sem se vulgarizar.
Choca-me ver mulheres dançando “um tampinha não dói”, “são as cachorras”, entre inúmeras outras músicas que vulgarizam a mulher. Lutamos tanto pela liberdade e crescimento pessoal, por que agora prestarmos o papel de mulheres controladas por um “Tigrão”?
O problema não é o funk. A moda vai passar, como já passou a onda da “boquinha da garrafa” e outras bobagens semelhantes. O problema é que dessas “ondas”contribui para depreciar a mulher, seu corpo, sua intelectualidade, sua moral, para banalizar as relações sexuais, para industrializar o erotismo e criar comportamento de massa, que visam de fato banalizar a sexualidade feminina.
A verdadeira operação inversa da alta cultura, ao invés de criar novas possibilidades para o espírito, cria comportamento condicionado a não pensar.
Desejo sim, parabenizar as mulheres por esse dia especial, lembrando de ante mão que não se nasce mulher, torna-se mulher.
Parabéns às mulheres que conquistaram o respeito e não perderam a ternura!


Jornal Centro-Oeste
Mineiros-GO
2008

- Bom exemplo e disposição -


Temos um lindo exemplo do grupo “Hospalhaço” que se conheceram através do grupo de psicologia e formaram um grupo alheio, por prazer, dedicação e confiança em um mundo melhor.
Ver jalecos brancos em um corredor silencioso nunca foi motivo de conforto para uma criança, o que acaba gerando quando jovem um olhar matuto sobre os médicos.
Em 1994, no filme “Patch Adams – O amor é contagioso”, o protagonista Rodin Williams mostra, com sua surpreendente capacidade de nos fazer rir e chorar, a falta de estima e calor humano por parte dos médicos em relação aos seus pacientes.
A noção que possuímos a respeito do que seria algo “contagioso” nos remete de imediato à doenças, médicos, jalecos brancos, internações. E é aí onde se torna ousado colocar nariz vermelho e contagiar de amor, quartos de um hospital onde predomina o silêncio.
Tudo isso nos faz pensar se é possível espalhar “bactérias” ou “vírus” do amor, entre pessoas, infectando-as de boas intenções, tendo um relacionamento caloroso e de bom astral com os pacientes.
O filme certamente tocou o coração de muitas pessoas que passam parte de seu tempo alegrando crianças e recebendo em troca algumas gargalhadas. Os projetos iniciaram-se com Michael Chirstensen do programa Clown Care Unit do Big Apple Circus de Nova York e depois veio para o Brasil através de Wellington Nogueira, fundador do “Doutores da Alegria” e se espalhou por um vasto território. Sendo hoje ficha obrigatória optada pelos alunos de muitas universidades.
E ainda temos um lindo exemplo do grupo “Hospalhaço” que se conheceram através do grupo de psicologia e formaram um grupo alheio, por prazer, dedicação e confiança em um mundo melhor.
Um paciente se torna mais forte quando percebe que ele não é “leito ocupado”, que possui rosto, nome e uma história.
O carinho e o reconhecimento de um paciente com certeza é um tesouro que o dinheiro não compra.
Mas não é necessário que o médico coloque nariz vermelho para que traga alegria para o consultório. É preciso mais que rosto pintado, jaleco branco, vestibulares e um diploma. Deve-se ter alma forte para compreender a perda de um paciente e delicadeza para que ele viva de verdade, enquanto está vivo. É preciso fazer com que ele não desista, porque quem desiste já não vive!
De que adianta equipamentos modernos e caros, remédios de última geração e um bom ambiente hospitalar se formos chamados de o quarto 17?
O brilhantismo dos profissionais da saúde vem sendo cada dia maior, tornando um corredor silencioso repleto de alegria e dando um pouco mais de cor em nossa vida. Parabéns a todos que acreditam que é possível tornar o mundo melhor, e que até mesmo diante dos maiores riscos se faz possível das boas gargalhadas.

Revista Mídia e Negócios - Falando Sério
Mineiros-GO
2007


- JEANS -

Tá na hora de inventar moda!
De roupa de briga de mineradores à peça indispensável e qualquer guarda-roupa. A calça jeans viveu uma revolução em um século e meio de existência. Atualmente, veste qualquer tipo físico em várias ocasiões e tem o poder da unificação.
Conta-se que trabalhadores no auge da corrida do ouro norte-americano, por volta de 1850, aproveitavam para vender produtos usados na mineração, como ferramentas, roupas e lonas.
A lona era o mais lucrativo dos produtos vendidos pelos mercadores. Devido isso o mercador Levi Strauss (ele é Levi’s da famosa marca dos EUA), com um grande estoque de lonas, sem conseguir vendê-las, criou o jeanswear, um estilo reforçado de confecção que era dado aos mineradores. O sucesso foi imediato.
Alguns dizem que, na verdade, o jeans surgiu na Itália, a partir das roupas dos marinheiros de Gênova. Sei lá, qual o início da história do jeans mas, desde o século XX ele passou a ser usado no dia-a-dia. Desde então nunca mais saiu da moda, pelo contrário, só se inventa mais e mais moda com o jeans. Seu estilo vai de chic ao mais despojado. Usado no cotidiano, no colégio se tornou uniforme obrigatório e é usado até na noite em bares e lugares badalados.
A palavra-chave para descrever o jeans é versatilidade.
O que não é difícil notar é que mais uma vez o jeans é a “bola da vez”.


Revista Mineiros de Corpo e Alma - Papo Jovem
Mineiros-GO
2006