quarta-feira, 27 de maio de 2009

- Os bons e os fascinantes -

“Educar é ser um bom garimpeiro, que procura tesouros no coração.”

Professores fascinantes deveriam ser aplaudidos em cada aula dada.
Lembro-me ainda hoje, da garota insegura e cheia de medos da sétima-série; estudava em uma escola interiorana, convivi com uma professora de inglês durante anos. Remete-me de imediato, sempre que falo nela, a lembrança de um dia em especial: o primeiro dia de aula do ensino médio, ela chegou e sentou-se na mesa como sempre fazia, desde alguns anos, pegou um rolo de barbante que havia levado consigo, cortou um pedaço e entregou para cada aluno ali presente; pediu que com uma mão só, sem que nos apoiarmos em nada, fizéssemos quantos nós conseguíssemos em cinco minutos. Não me lembro quantos fiz, mas me lembro como se fosse hoje, dela olhando discretamente por cima dos óculos em minha direção: - “Olha o que são capazes de fazer com apenas uma mão!”
Tenho certeza que aquela aula foi pra mim, que aquelas palavras eram para me encorajar, me transmitir forças, me proporcionar aceitar com mais leveza a separação de meus pais, me fazer acreditar em meus sonhos, me fazer sonhar, resgatar meus desejos, os quais havia guardado no fundo do baú e friamente esquecido.
Digo, com satisfação e felicidade, que meus professores foram além da didática, me ajudaram na formação de meu caráter, eles me auxiliaram a ser forte, argumentativa e capaz.
Existem professores e educadores. Os professores são caracterizados como bons professores e os educadores como professores fascinantes. Os bons professores podem ser dotados de e uma boa cultura acadêmica. Os professores fascinantes ultrapassam essa meta, eles tentam conhecer a mente dos alunos, para melhor ensinar, ensinam a transformar informações em conhecimento e experiências em práticas.
Bons professores pretendem passar o que foi suposto, ensinar leis e teorias, enquanto os professores fascinantes ensinam os alunos a pensar, sonhar, buscar, plantar, os ensina aprender a aprender.
Professores assim como pessoas estão gerando dados em si esmo, perdendo a plenitude e se tornando cada dia mais práticos, alguns jovens que chegam às faculdades se apresentam alienados, não sabem impor suas idéias, gerenciar seus pensamentos e ser empreendedores. Acostumados a “deletar”, na nova era onde facilmente se exclui, esquecemos que na nossa vida isso não será possível , teremos que reeditar arquivos em nossa memória, mas não podemos deletar as experiências negativas.
Os jovens não são treinados para lidar com a decepção, não são expostos a práticas e argumentações, discordar de um professor pode levá-lo a sérias perseguições.
“Adoro muito mais aquele que por ventura discorda de mim e apresenta suas teorias, do que aquele que concorda com todas as minhas idéias.”
Estamos na era da educação que pouco ensina pensar, que não ensina apreciar e depreciar, a ter opinião e forma de apresentá-las respeitosamente.
Educar sem se envolver é como tomar banho sem se molhar... É praticamente fazer de conta.
E é exatamente aí onde digo: Os bons professores educam para uma profissão, e os professores fascinantes vão além, educam para a vida também.



Jornal Centro-Oeste
Mineiros-GO
2008

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